Padronizações corretas de informações obrigatórias
Este artigo é direcionado, essencialmente, para profissionais da área de comunicação como designers, jornalistas, publicitários, social media, copywriters mas, também, para aqueles que, por simpatia ou curiosidade, estão às voltas com estas atividades e que ainda fazem confusão em relação à escrita de certas informações de utilização regular.
Mas, independentemente de suas áreas de interesse, se você também tem dúvidas, então, prossiga a leitura e vamos tentar saná-las aqui.
INTRODUÇÃO
A correta comunicação dentro de uma língua só pode ser estabelecida se seguimos certos padrões de fala e de escrita - e isso é próprio da língua, inclusive, porque língua é pura convenção. Emtendendo iço ,podemos diser q seguir padrões é inportante en algumas situassões ,en outras ,ecencial e ,assima de tudo ,q conhessê-los nus aussilia a ter uma nossão du q pode ser pertinemte ou não en sertas ocaziões. Fazendo assim garantimos que nossa mensagem seja transmitida de maneira apropriada, senão infalível.
Veja que, como neste texto em negrito acima, se subvertemos os padrões de escrita aos quais fomos acostumados, por mais que em alguns momentos isso seja involuntário (e mesmo que seja mais sutil), criamos um ruído de comunicação, ainda que, de modo geral, a informação possa ser reinterpretada e totalmente entendida.
Isso não implica que, eventualmente, não possamos burlar regras (sim, o que é convenção pode, em certos momentos, ser abordado sob uma perspectiva mais “relaxada”). A quebra de regras, inclusive, faz parte do trabalho de designers e publicitários, que, habitualmente, estão buscando novas maneiras de atingir seu público. Mas, para isso, é importante se ter uma noção do momento certo para se fazê-lo, caso contrário, a comunicação poderá declinar.
Veja que para formatar uma mensagem conforme a percepção do receptor, precisamos nos basear em variáveis diversas como faixa etária, gênero, nível cultural, região geográfica, dentre diversas outras, que podem nos indicar quando devemos proceder com uma linguagem mais formal ou mais despojada ou até se podemos quebrar visualmente padrões e ordens de leitura. Como exemplo, se a gente considera fazer um anúncio para um show de Rock, devemos ter a noção que a bagagem cultural e a linguagem utilizada por este tipo de público será provavelmente diferente do de um show de música romântica. Para cada situação, vamos readequar modelos visuais e padrões verbais. Mas é agindo assim que garantimos uma maior familiaridade deste público com o que se informa e, portanto, um melhor efeito na comunicação.
Independentemente, porém, do viés que cada um poderá se dar para compor seu trabalho (seja um material gráfico, publicitário ou jornalístico), é importante conhecer bem as formas de escrita já predefinidas pela norma padrão da língua (as formas recomendadas pela gramática normativa) pois, como se costuma dizer, “Para se quebrar regras, é preciso, primeiro, conhecê-las”. E, pelo menos, sob um ponto de vista mais “conservador”, se o profissional escreve dentro delas ele nunca estará errando e, melhor, estará se expressando de uma maneira inteligível para a maioria, evitando, assim, comprometer a credibilidade do que comunica. Destarte, pode-se dizer que um trabalho bem idealizado e bem estruturado visualmente, se escrito com erros de ortografia, sintaxe e inconsistências de padronização, malogra em credibilidade, não dialoga corretamente com o receptor e perde função (em outras palavras, trabalho jogado fora).
Numa situação hipotética, se um designer, que lida constantemente com imagens e texto, não se sente corresponsável para, pelo menos, fazer uma revisão gramatical, corre o risco de, depois de se esmerar na parte visual, ver seu trabalho não lograr efeito porque este tinha problemas de redação geradas pelo copywriter. Se não há eficiência de ambos os lados (imagem e escrita) não pode haver por apenas um, pois não há design bom que salve um texto ruim.
Pode-se afirmar, portanto, que todos os envolvidos no processo de criação de uma peça de comunicação têm responsabilidade geral pelo seu sucesso.
Abaixo estão exemplificadas algumas informações de presença frequente e, às vezes, obrigatória, em diversos tipos de documentos, mídias e materiais gráficos como folders, anúncios, cartazes, cronogramas de eventos, embalagens, rótulos, papelaria, busdoors, sites, cards de redes sociais, etc., e suas maneiras de escrita normalizadas pelo costume do uso e/ou recomendadas pela norma padrão.
FORMATAÇÃO DE ENDEREÇOS
Um endereço de logradouro define nossa localização, nossa posição geográfica em uma área urbana ou rural. Escrevê-lo da maneira certa garante que correspondências, documentos e produtos enviados através dos Correios ou transportadoras cheguem no destino sem intercorrências e que qualquer pessoa, através dele, também consiga se localizar sem dificuldade.
CORRESPONDÊNCIAS
Os Correios, hoje, definem basicamente dois modelos de destinatário empregados em etiquetas como referência a ser seguida para o envio através de seus serviços. São estruturas verticalizadas para aplicação em encomendas e/ou correspondências.
Nota: as diferenças de cor nos textos abaixo são apenas para sinalizar onde há quebra de linha.
1 - Etiqueta impressa para encomendas / correspondências
Nome do destinatário
Tipo de logradouro + Nome do logradouro Número
Complemento Nome do Bairro
CEP Nome da localidade (Cidade/Município)/UF
2 - Etiqueta de Endereçamento Manuscrito para encomendas
Nome do destinatário
Tipo de logradouro + Nome do logradouro Número Complemento Nome do Bairro
Nome da localidade (Cidade/Município)-UF / Telefone
CEP
Nesses padrões de etiqueta, já vêm definidas as dimensões, posicionamento de elementos, tipo e tamanho de fonte (com exceção da EEM, que é escrita à mão) nos quais, normalmente, são utilizados espaços como separador (nesse padrão, portanto, quase nada de vírgulas, pontos ou hífens).
ENDEREÇOS EMPRESARIAIS / CORPORATIVOS
Para documentos como papelaria empresarial, impressos e anúncios de varejo, porém, o padrão de escrita, obrigatoriamente, deve ser outro porque precisamos adequá-lo a um espaço mais limitado (que se encontra, em geral, no rodapé), horizontal, e que ocupe, no máximo, duas linhas (ao contrário das etiquetas dos Correios, que utilizam entre quatro e cinco linhas), mas que permita incluir também telefone, redes sociais, site da empresa ou o que mais for necessário.
Nesse caso, os formatos ideais seriam:
1 - Versão estendida:
Avenida Alameda das Travessas, n.º 111, Edifício Bosque do Cerrado, loja 22 - Barris. CEP: 40000-000. Salvador-Bahia.
Informações complementares (opcional).
2 - Versão com abreviaturas:
Av. Alameda das Travessas, 111, Edif. Bosque do Cerrado, lj. 22 - Barris. 40000-000. Salvador/Bahia.
Informações complementares (opcional).
Por uma questão de clareza sintática, o ideal é separar os elementos por vírgula (“, ”) até o nome do bairro. Antes do nome do bairro acrescentaríamos hífen (“ - ”) e, em seguida, o ponto (”.”) encerrando a informação de logradouro. Logo após, escrevemos o CEP (antes da cidade, seguindo a recomendação dos Correios) e mais um ponto separando-o de Cidade+UF que, então, viriam por último. Para estes dois, aparentemente, não há padrão de separador, podendo ser hífen (“-”) ou barra (“/”) como o próprio site dos Correios exemplifica. Hífen sugere ligação enquanto barra, nesse caso, sugere subordinação (do primeiro pelo segundo), não fazendo, portanto, nenhuma grande diferença a troca de um pelo outro.
Mas por que propor uma padronização?
Porque, quando se trata da formatação de endereços, a realidade mostra que não existe padrão. Existem escritas similares mas não um padrão fixo e essa imprecisão acaba por estimular uma enormidade de variações e inconsistências. Se você analisar as correspondências que recebe, suas revistas e livros de estante, além das embalagens dos produtos que compra, e tentar agrupar os que mostram informações de endereço e contato exatamente da mesma maneira (com quebras de linha, ordens, espaços, pontuações, abreviaturas, etc.), vai perceber o quanto isso é negligenciado.
Veja que até jornais renomados como o A Tarde e o Correio* (ambos da Bahia) escrevem seus endereços de maneira diferenciada, e tanto nas versões impressas quanto nas versões online:
• A Tarde
- Impresso: RUA PROFESSOR MILTON CAYRES DE BRITO, N.º 204, CAMINHO DAS ÁRVORES, CEP: 41.820-570, SALVADOR/BA
- Online: Rua Professor Milton Cayres de Brito, 204 - Caminho das Árvores, Salvador - BA, 41820-570
• Correio* (antigo Correio da Bahia)
- Impresso: Aristides Novis, 123 - Federação, Salvador-Bahia, CEP 40210-630
- Online: Rua Aristides Novis, 123, Federação. CEP: 40210-630 Salvador, Bahia, Brasil. (porém, em formato vertical)
E por falar em Correio, perceba que, conforme comentado mais acima, em seu site os Correios buscam estabelecer um padrão de ordenamento e grafia corretos das informações de suas etiquetas - a exemplo do CEP, escrito antes da Cidade -, mas nos sites de dois de seus serviços as padronizações entre si diferem, confira:
• Mais Correios:
- Av. Hélio Ossamu Daikuara, 1445 (Galpão G7, Sala RJ, Nível Mezanino) - Jardim Vista Alegre - Embu das Artes/SP - CEP: 06807-905
• Loja Correios:
- AVENIDA DOUTOR ANTONIO JOAO ABDALLA,2727 EMPRESARIAL COLINA - 07750983 - CAJAMAR - SP
Nota: informações de todos esses endereços coletadas em maio/2026.
Então, a gente percebe que, ao contrário das sugestões propostas mais acima (em verde), é comum ver em correspondências e produtos empresariais, e até em veículos de mídia, uma falta de regularidade no uso de espaços, vírgulas e hífens e na ordenação física dos elementos, o que nos leva a concluir que não há em nenhum lugar uma referência a ser seguida e que, se há, quem é responsável por esses leiautes e revisões não tem ciência disso.
A despeito dessa falta de padrão, a gente pode dizer que como há interpretação humana na leitura desses dados, a informação, em geral, é compreendida e assimilada. Mas se trabalhamos com comunicação, o mínimo que podemos fazer é tentar torná-la mais amigável, pois, como já dito, serão os humanos, com suas capacidades e limitações, aqueles que vão interagir diretamente com ela.
• Complemento:
Correios - Guia de endereçamento
Correios - Endereçamento de encomendas - PDF
Correios - Endereçamento de correspondências - PDF
Manual de endereços da Secom
FORMATAÇÃO DE CEP
O CEP (Código de Endereçamento Postal) foi criado pela EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) em 1971 e é um importante meio de identificação de regiões e logradouros, sendo utilizado nas triagens dos Correios e transportadoras, em que cada dígito (de um total de oito) tem uma função específica. Para o CEP (que também é utilizado para cálculo de frete em sistemas de e-commerce) existe apenas uma forma de escrita e que está definida no site dos Correios que é sem ponto e com hífen separador antes dos três últimos algarismos.
Então, o correto é utilizar sempre 40060-100 e nunca 40.060-100, 40060 100 ou 40060100 (como, às vezes, se procede).
Ao contrário do que se pensa, o CEP não deve ser escrito por padrão em correspondências no final de um endereço, mas antes do nome da Cidade/UF. Nos antigos envelopes disponibilizados pelos Correios, contudo, o padrão era esse, onde vinham aqueles oito “quadradinhos” impressos lá no final (como exemplificado neste guia disponibilizado pelos próprios Correios), similarmente à atual etiqueta de endereçamento manuscrito. No entanto, no padrão de envelope carta atual, o CEP já vem antes de “Cidade / UF / País”.
Obs.: O ZIP Code (Zone Improvement Plan - Plano de Melhoria de Zona), criado em 1963, é o equivalente americano para o nosso CEP, sendo o termo utilizado quando fazemos certas compras internacionais.
• Complemento:
Correios - Tudo sobre CEP
FORMATAÇÃO DE TELEFONE / CONTATO
O telefone, esse nosso companheiro mais do que centenário (inventado e patenteado em 1876), hoje, por vezes, é muito mais utilizado como comunicador instantâneo do que em sua função original. Ainda assim, a gente sempre anota algum número em algum momento, seja a mão ou digitando e, curiosamente, já no século XXI, ainda não temos certeza de como escrevê-lo dentro de uma lógica mais funcional - variando de acordo com o conhecimento ou com a disposição de cada um.
Abaixo, algumas formas de escrita comuns - com hífen, ponto, espaço ou sem nenhum sinal auxiliar - que mostram como, no dia a dia, para algo tão corriqueiro, a gente prescinde de padrão.
Ex.: 3232-1234, 3232.1234, 99999-1234, 9999 - 1234, 99999.1234, 9 9999 1234, 99991234.
Uso do hífen como separador
• Número de contato, com 8 a 9 algarismos (3232-0000)
• SAC, com 10 algarismos (0800-000-000)
Uso do espaço ou ponto como separador
• Número de contato, com 8 a 9 algarismos (9 9999.0000)
• SAC, com 10 algarismos (0800 000 000)
É bom lembrar que, ao contrário de palavras, números se tornam mais complicados de se ler à medida que se aumenta o montante de algarismos. Palavras remetem à ideia de algo mais concreto/orgânico mas números, em geral, fazem referência a quantidades, portanto, infinitos. Ler uma palavra como “anticonstitucionalissimamente” não é tão confuso porque já decoramos, mas para um número com esta mesma quantidade de caracteres (como um código de barras, por exemplo) - e sem nenhum tipo de separador - é uma tarefa, no mínimo, cruel. Imagine, então, memorizar.
Números de telefone, hoje, possuem três, cinco, oito e até dez algarismos. Sem contar quando grafamos com o DDD. Mas, habitualmente, em nosso dia a dia, utilizamos números de telefonia móvel que, nesse caso, possuem nove dígitos - que são muitos e difíceis de serem lidos numa sequência direta. Se, nesses tempos corridos, não queremos oferecer obstáculos à apreensão da informação por nosso público destino, então, devemos tentar ser benevolentes com ele separando visualmente os algarismos. Nesse caso, o primeiro número (9) dos subsequentes com um espaço e mais um hífen a cada quatro, como nos exemplos abaixo:
9 9999-1234 ou 71 9 9999-8765 ou 55 71 9 9999-8765 (nunca algo como 99876-2345 e, muito menos, 998762345).
Assim, um contato que digitamos 998762345, para a máquina (telefone) não faz diferença se inserimos ou não intervalos (de tempo), mas, para nós quando lemos, sim. Ao escrevermos, portanto, deveríamos fazer algo como: 9 9876 2345 (e que lido poderia ficar: nove, nove oito, sete meia, vinte e três, quarenta e cinco [9 98 76 23 45], por exemplo). Mais suave assim, não? Mas, para isso, a gente precisaria separá-lo visualmente antes, então, ao invés de 998762345, porque não facilitar e escrever 9 9876-2345, onde intuitivamente já separamos os pares ao tempo em lhe damos uma máscara de número de telefone?
E eu insisto na ideia dos blocos de quatro algarismos porque desde os anos 2000 nosso padrão passou a ser de oito (4+4 - fixo e celular) e porque a partir de cinco (5+4 - como nos celulares a partir de 2012) fica sempre mais difícil compreender. Conforme mencionado, números não têm a mesma lógica de palavras. Em conjuntos de quatro sempre podemos agrupá-los dois a dois, o que já não acontece quando temos algarismos unidos em uma quantidade maior. Então, em telefones fixos teríamos sempre uma máscara como “0000-0000” (um padrão de 4+4), enquanto que em celulares, teríamos a máscara “0 0000-0000” (um padrão de 1+4+4 algarismos).
O ideal seria que, nas diversas peças de comunicação que fazemos (publicidade, papelaria, avisos, correspondências, placas de sinalização, etc.), usássemos apenas um padrão de escrita para números de contato, assim, todos entenderiam de imediato da mesma forma: como um número de contato - e não como uma outra coisa qualquer.
Outro detalhe a se considerar é o fato de que, em um mesmo documento ou material gráfico, podemos encontrar dados de logradouro, telefone, data, horas, valores e diversos outros. Cada um, com sua maneira própria de escrita (e que deveria ser preservada) o que faz a gente concluir que ser inovador, nesse caso, criando novas grafias para estes elementos, só gera confusão.
Diante da inconsistência de padrão com que se escreve, portanto, recomendo a forma (máscara) que possui espaço e hífen como separadores (9 9999-1234) em virtude dos raciocínios expostos acima e por este ser um dos formatos mais encontrados nas mídias de comunicação em geral.
Para serviços gratuitos como SAC, dê preferência a apenas espaços: 0800 000 000.
Para DDD, aparentemente, não existe padrão: ou 71 0 0000-0000 ou (71) 0 0000-0000.
Nota: pesquisando pela internet para tentar encontrar alguma luz a mais sobre esse tema, encontrei um artigo e uma discussão que propunham a divisão de um número com nove (9) dígitos em grupos de três (3) algarismos (999-999-999), sugerindo que assim seria mais fácil decorar. Eu discordo por três motivos:
1 - Porque manter uma padronização diferente para entidades que tenham funções diferentes é importante para a distinção. Assim, dividir em grupos de 3 (três) lembra um número de CPF, que já tem esse padrão. Dentro do padrão de escrita atual já remetemos a um número de telefone.
2 - Conforme eu falei, a máscara “0000-0000” permite que intuitivamente dividamos os grupos de quatro (4) em “2+2 - 2+2”, assim um número como “3232-2412” pode, tranquilamente ser lido em pares como “trinta e dois, trinta e dois, vinte e quatro, doze”. Já fazemos isso há décadas, mesmo que não utilizemos para todos os casos. Para números de celular, bastaria acrescentar o nove (9) na frente e proceder da mesma maneira.
3 - Levaríamos anos para repadronizar no mercado esse novo formato, dissociando o padrão que serve ao telefone fixo (4+4) do novo padrão que serviria ao celular (3+3+3), confundido os consumidores para tentar lhes trazer um benefício que, na minha opinião é questionável.
• Complemento:
Wikipedia - Números de telefone no Brasil
FORMATAÇÃO DE DATAS
Mais do que lembrar do dia do feriado (que também é legal), indispensável ter em mente as formas já padronizadas para a escrita de datas em geral, tanto numéricas quanto por extenso:
• 2/3/2014 - “/” como separador
• 2-3-2014 - “-” como separador
• 2.3.2014 - ”.” como separador
Todas essas formas são consideradas corretas pelos manuais ortográficos, mas fiz questão de negritar apenas a primeira pelo fato de ser de longe a mais utilizada. Por uma questão estética, porém, o “0” (zero) pode antever a escrita do dia e do mês - o que reformataria esses padrões, por exemplo, de 2/3/2014 para 02/03/2014 (opção, inclusive, recomendada para preenchimento de formulários dentro do formato “dd/mm/aaaa”). Mesmo com a implicância dos professores de português, essa maneira já está padronizada e não se consiste num erro, sendo utilizada, inclusive, na maior parte do mundo.
O primeiro dia do mês deve ser escrito sempre desta forma: 1º/3/2014 e não 1/3/2014, como acontece, por exemplo, com o Primeiro de Maio (Dia do Trabalho) e o Primeiro de abril (dia da mentira). Quando do preenchimento de formulários no formato “dd/mm/aaaa”, no entanto, somente é possível a forma “01/03/2014”.
A escrita do ano não deve ter ponto separador (2.014 - errado, 2014 - correto) e, caso haja necessidade, pode ter apenas dois algarismos em datas numéricas por economia de espaço (02/03/14).
Em documentos mais formais, é possível escrevê-la por extenso: 2 de março de 2014 (ou dois de março de dois mil e catorze) e, caso necessário, costuma-se usar, também, a escrita alfabética do mês abreviada como em: 2/MAR/2014. Deve-se evitar a forma 02 de março de 2014 conforme o motivo explicado mais abaixo na seção NÚMEROS EM GERAL.
Obs. 1: a forma “02/02/2014” (padrão dd/mm/aaaa ou 2+2+4 algarismos) é mais conveniente para preenchimento de formulários, impressos ou online, mas não muito adequada para textos corridos. Da mesma maneira as formas “2/FEV/2014” ou “2 fev. 2014” não estão erradas, mas não são muito usuais, sendo preferíveis os formatos logo acima.
Obs. 2: de minha parte, aboliria-se completamente as opções de datas numéricas com hífen e ponto enquanto separadores (2-3-2014 e 2.3.2014) e manteria-se somente a opção com barra, como em “2/3/2014”.
• Complemento:
Pedagogia ao Pé da Letra - Grafia das datas
FORMATAÇÃO DE HORAS
Não perca a hora... e muito menos o padrão. Mas se você está perdido na hora e no padrão, não tem problema. Pelo menos esse último a gente recupera aqui.
Recomenda-se a escrita de horas preferencialmente de duas maneiras que são com abreviatura ou por extenso, como exemplificado abaixo:
• 9h, 10h, 11h30, 11h30min ou
• 9 horas, 10 horas, 11 horas e 30 minutos.
Em geral, horas abreviadas dizem respeito ao momento do acontecimento e horas por extenso dizem respeito à duração (mas podem ser escritas por extenso também em documentos formais mesmo significando o momento de ocorrência). Exemplo abaixo englobando as duas formas:
“Iniciou-se às 9h um curso com duração de duas horas”.
Mas para cronogramas de eventos (e também passagens e agendas) o ideal é se utilizar os valores com “:” (dois pontos) como separador ao invés do “h” por uma questão de facilidade de compreensão e também por estética. Nossos relógios digitais também padronizam dessa forma. Já pensou se nesses dispositivos a gente lesse as horas como 9h, 9h45, 10h03, etc., quando 09:00, 09:45, 10:03..., é muito mais lógico?
Então, para cronogramas de eventos, faça sempre desta forma:
08:00 - Abertura do evento
09:20 - Palestra 1
10:35 - Palestra 2
12:00 - Almoço
...
Evite fazer isso:
8h - Abertura do evento
09h20 - Palestra 1
10h35min - Palestra 2
12h - Almoço
...
E jamais faça isso:
8h - Abertura do evento
09:20 - Palestra 1
10H35min - Palestra 2
12:00 Hrs - Almoço
...
Evite também utilizar as formas hs, hrs, hrs., H*, H., Hs (*Salvo em textos em que se escreve tudo em maiúsculas) pois são todas consideradas erradas. De preferência, então, apenas “h” (minúsculo) já será suficiente ou “horas” (por extenso) quando representar duração.
• Complemento:
Pedagogia ao Pé da Letra - Grafia das horas
Mundo Educação - Abreviação de horas
FORMATAÇÃO DE ABREVIATURAS E ABREVIAÇÕES
Abreviações e abreviaturas são palavras que sofreram uma redução por questão de economia de espaço, comodidade (na fala e/ou escrita) e até por hierarquia entre os termos. Pelo fato de serem reduções, invariavelmente, precisam ser reinterpretadas para serem adequadamente entendidas. O correto, portanto, seria, sempre que possível, evitá-las, afinal, ninguém é obrigado a saber que “dag” significa decagrama e (muito menos) que “fs.” quer dizer fac-símile. Ninguém é obrigado a saber as abreviaturas que nós sabemos.
A despeito disto, elas são bem vindas em determinados casos pelo fato de já terem seu significado conhecido (quando têm) e representarem economia de escrita, além de delegarem um nível de importância maior (no momento da leitura) às palavras não abreviadas.
Em que pese o fato de haver distinções em alguns sites, os dicionários, de forma geral, não estabelecem grandes diferenças entre estes termos, considerando para os dois algo como “ato ou efeito de abreviar, de tornar breve, etc.”. Mas se existe realmente diferença entre abreviação e abreviatura, seguem, então as explicações encontradas.
ABREVIATURA é uma palavra reduzida até um trecho onde a compreensão seja possível acompanhada de um ponto de redução e terminada, geralmente, em uma consoante.
Exemplos:
ex. - exemplo
dr. - doutor
rel. - revista
r. - rua
p. / pág. / págs. / pp. - página / páginas
etc. - et cetera: e outras coisas / e os outros / e assim por diante
t. / trav. - travessa
tel. - telefone
m - metro / metros
km - quilômetro / quilômetros
...
ABREVIAÇÃO é a redução de uma palavra aceita por convenção implícita, sem ponto final e que consegue ter uma existência própria (em fala e escrita) se portando como uma nova palavra mas que sempre tem como referência a palavra maior que a originou - em alguns casos, porém, “aniquilando” na cultura popular a antecessora, como aconteceu com “pneu” (por pneumático).
Exemplos:
moto - motocicleta (de onde surge a horrível derivação “motociata” ou, ainda, a não menos terrível “motosseata” -> “moto+passeata”, quando poderia ser apenas “moteata”, de moto)
foto - fotografia (foto, vale ressaltar, deriva o diminutivo “fotinho” e não “fotinha“, exatamente como acontece com “moto -> motinho” e não “motinha”)
cine - cinema
micro - microcomputador
fone - telefone
auto - automóvel
...
Uma coisa que não se comenta mas que me passa a impressão é: quando antepomos abreviaturas titulativas para alguém com formação acadêmica, por exemplo, valorizamos mais a pessoa do que o próprio título. Veja que existe uma diferença visual entre...
- O Prof. Dr. José da Silva de Souza proferirá uma palestra neste sábado.
- O professor doutor José da Silva de Souza proferirá uma palestra neste sábado.
Com as abreviações o nome do titulado ganha mais destaque. Isto faz sentido porque o indivíduo pode existir sem o título mas o título não existe sem o indivíduo, portanto, no instante da leitura, este ganharia sempre um realce maior.
SÍMBOLOS: abreviaturas também podem existir por convenções internacionais (SI) como nas reduções para unidades de medida como metro (m), hora (h), gramas (g), dentre diversas outras. Neste caso, elas são denominadas de SÍMBOLOS e não levam ponto de redução (e também não levam a desinência “s” de plural). Então:
cm - centímetro / centímetros
m - metro / metros
ms - milissegundo / milissegundos
s - segundo / segundos
kg - quilograma / quilogramas/ quilos
ºC - graus Celsius
...
Em geral, se escrevem separadas do valor antepostas por um espaço como em “15 kg”, “3 m” e “75 ºC” (e não 15kg e nem 3m, por exemplo). Para horas, no entanto, fica: 1h, 2h, 18h... (e não 18 h), grafia, até onde sei, definida pelo costume do uso.
MESES: por convenção, os meses do ano são abreviados de duas formas:
1 - Ou se abrevia com minúsculas com ponto final (jan., fev., mar., abr., etc.)
2 - Ou se abrevia com maiúsculas sem ponto final (JAN, FEV, MAR, ABR, etc.)
Maio é o único mês que não deve ser abreviado (mar., abr., maio, jun., jul., etc.)
SIGLAS: uma sigla também é entendida como abreviatura, porém, cada termo que a compõe é reduzido até a sua inicial (como em CEP, por exemplo). Se ela é lida com cada letra separada recebe, simplesmente, o nome de sigla (como em UFMG [ú, éfe, ême, gê - Universidade Federal de Minas Gerais] e em USA [iú, és, êi - United States of America]). Caso possa ser lida naturalmente como uma palavra, recebe o nome de acrônimo (como em USP [úsp - Universidade de São Paulo] e ONU [ônu - Organização das Nações Unidas]).
Siglas não precisam de apóstrofo para plural, mas apenas um “s” minúsculo. Então, uma sigla/acrônimo como CEP não deve ser pluralizada como CEP´s e sim CEPs.
ABREVIATURAS E PONTUAÇÃO: abreviaturas, em certos casos, requerem pontuação além do ponto dela mesma, como no caso de ex., tel. e obs. (que não têm existência própria) quando vamos passar alguma informação em seguida. Então, o correto é:
1 - “Ex.: este é um texto de exemplo” e não “Ex: este é um texto de exemplo ”.
2 - “Tel.: 9 9765-4321” e não “Tel: 9 9765-4321”.
3 - “Obs.: não esqueça do ponto” e não “Obs: xiii, esqueci do ponto”.
No caso de siglas, elas não precisam de ponto separador nem final: então, nem C.E.P. e nem C.E.P, mas apenas CEP.
Palavras abreviadas no final de uma frase não carecem de ponto extra. Ex.: “Comprei peras, bananas, maçãs, etc. ” e não “Comprei peras, bananas, maçãs, etc.. ”. Um ponto final já desempenha o papel dos dois.
O USO DO ETC.:
Como você já deve saber, “etc.” é uma abreviatura que vem da locução latina “et cetera”, que significa algo como “e outras coisas” ou, ainda, “e o restante”, e deve ser utilizada em algum texto em que tenhamos mais itens a se enumerar - mas que não escrevemos, ou por uma questão de economia de espaço ou, simplesmente, por preguiça. Enquanto alguns autores defendem que o etc. deve ser usado para coisas em geral e seres vivos não humanos, outros defendem que o significado de “et cetera“ se expandiu para atribuir continuidade também quando se enumera pessoas, pois também simbolizaria algo como “entre outros” ou “e assim por diante”, portanto, sem precisar ser interpretado ao pé da letra.
Os que defendem etc. traduzido ao pé da letra insistem na ideia de que, obrigatoriamente, não deve ser precedido de vírgula, pois não faria sentido dizer algo como “Na casa havia bancos, cadeiras, livros, e outras coisas” (quando o correto seria “Na casa havia bancos, cadeiras, livros e outras coisas”) porque o “e” enquanto conjunção aditiva dispensa o uso de vírgula anteposta. Para outros (como eu), que entendem o “et cetera” como algo mais expandido, ele se torna um termo a mais dentro do nosso português (mesmo que importado do latim) sem propriamente um significado literal, podendo portanto, representar também algo como “entre outros”, “dentre outras coisas”, etc. (olha ele aí de novo, e com vírgula antes - como sempre uso).
Etc., obrigatoriamente, precisa de ponto abreviativo, pois é uma abreviatura (e não abreviação) porém, conforme já dito, ao término de uma frase não necessita de outro ponto para finalização.
CURIOSIDADES:
• Ao contrário do que se pode pensar, a abreviatura de “atenciosamente” é “at.te” e não “att.”, como se costuma escrever.
• A abreviatura de “número” é “n.º” e não “nº”, como se grafa usualmente (e, talvez, por isso, “nº” tenha se tornado a forma quase padrão - que eu, inclusive, já escrevi várias vezes), mas aceita também as formas “n.” e “núm.”. Já “num.”, sem acento, é a abreviatura de “numeral”.
• O “OK”, muito utilizado em nossa língua, segundo consta, vem de uma mania ligada ao jornalismo nos EUA do séc. XIX, que consistia em se escrever expressões erradas e depois abreviá-las. Assim, “All Correct” se tornou “Oll Korrect” e ganhou em seguida sua abreviação para “O.K.”. E nós aqui, usando a torto e a direito sem fazermos a menor ideia...
• Algumas abreviaturas têm seu significado dependente do contexto em que estão inseridas pois são escritas exatamente da mesma maneira. Exemplos: “p.” = padre e página (mas padre também aceita “p.e”), “p/” = para e por, “adv.” = advérbio, advogado. “min.” = mineral, ministro. Já “P.F.” = por favor, enquanto “p.f.” = prato feito.
USO INCORRETO DE ABREVIATURAS NO DIA A DIA:
Há vários “séculos”, havia no mundo uma rede social chamada Orkut (surgida um pouquinho antes do Facebook) que, durante alguns anos foi a preferida de nós brasileiros porque, além de ter sido a primeira rede que tivemos notícia, também nos permitiu voltar a ter contato com as velhas amizades perdidas lá nos tempos da brilhantina. Era uma maravilha.
Antes dela, porém, existiam os comunicadores instantâneos como IRC, MIRC e ICQ. Eu nunca usei essas coisas (acho que eu tinha um certo IRC delas), mas eu lembro que na época desses aplicativos surgiram aqueles termos de escrita rápida como “aki (aqui)”, “kd (cadê)”, “vc (você)”, “naum (não)”, “pq (porque)” e por aí vai. Eu achava estas grafias meio toscas, mas sei funcionavam como uma espécie de dialeto próprio da turma que usava esses comunicadores e para eles isso era legal. Mas eu lembro também de uma comunidade que surgiu no Orkut que tinha justamente o propósito de criticar esse linguajar “apressado” e que se chamava Aki Naum!. De imediato me senti representado (a despeito de nunca ter interagido) - só que pouco depois o Orkut faliu levando embora minha representação.
Mas é fato que essa linguagem não desapareceu com o desuso desses aplicativos nem com a implicância do Orkut. Uma parte permaneceu, e até hoje vemos pessoas escrevendo coisas como “vc”, “pq”, “kd”, “é nóix”, “tmj (tâmo junto)”, além do inacreditável “bjux” (que para mim se lê beijúqs), dentre diversas outras. Nada contra essas corruptelas se elas são usadas em locais e momentos convenientes, mas a impressão que passa hoje é que para quem consegue se comunicar apenas se valendo dessas reduções, não importa muito estudar as formas mais normatizadas da língua.
Mas já pensou alguém utilizar essa linguagem para, por exemplo, fazer uma solicitação de almoço ao restaurante da esquina? “Zé, é o João. P.F. vc μ traz 1 p.f. aki em ksa hj 12 hrs ? vlw !!!” - Valha-me preguiça. É claro que isso é uma brincadeira, mas essa variação a seguir já é mais possível: “Hj fui na av. 7 e fiquei hrs procurando pelo nº o ed. que vc me flw e só fui achar às 18 aprox.”. Nada muito incomum, mas algo mais próximo de “Hoje fui à Avenida Sete de Setembro e fiquei horas procurando, pelo número, o edifício que você me falou. Porém, só fui achar às 18h, aproximadamente.”, seria mais conveniente.
Isso não significa que não possamos escrever de formas econômicas em certos meios como nos comunicadores ou nas redes sociais, por exemplo. Mas é importante termos o conhecimento das formas padrão de escrita para que, quando for necessário utilizá-las, possamos ter essa capacidade e, assim, passar credibilidade na argumentação. Inclusive, para não deixar a impressão de estar escrevendo em outro idioma. Ter o direito de variar, sim. Utilizar apenas a forma pobre, nunca.
Entender, então, que na internet não existem apenas vídeos engraçados nem comunicadores instantâneos para consumir a nossa largura de banda é o primeiro passo para sair do limbo do desconhecimento, mas não se pode exigir que todos tenham essa mesma percepção.
• Complemento:
Manual de Abreviaturas da SECOM (explicações e lista de abreviaturas)
Biblio - abreviação, abreviatura - qual a diferença
FORMATAÇÃO DE VALORES FINANCEIROS
Se está difícil ver a cor do dinheiro, pelo menos, nesta seção você o verá coloridinho, mostrando a maneira certa e a errada de se escrever. Isso, pelo menos, aqui, é fácil. E o melhor é que a escrita de valores financeiros segue regras simples. Veja os exemplos abaixo:
1 - Deve-se escrever valores financeiros exatos em algarismos e não por extenso:
R$ 2 e não dois reais / R$ 1.000 e não mil reais.
2 - Números acima de mil em frases são grafados com algarismos e palavras:
R$ 3 mil / R$ 10,5 mil / R$ 1 milhão (e não R$ 1.000.000).
3 - Para valores inexatos escrevemos por extenso:
“Quase um milhão de reais” e não “Quase R$ 1 milhão...”.
4 - Valores muito grandes podem ser abreviados em determinadas situações como títulos, legendas, tabelas, chamadas, etc:
“Ele ganhou R$ 10 mi na loteria”.
Observações:
• Entre o símbolo “R$” e o valor existe sempre um espaço: R$ 500 e não R$500.
• R$ é o símbolo que já representa o termo “Real”, que é o nome de nossa moeda corrente, desta forma, não é preciso escrever novamente por extenso como em “R$ 500,00 reais”, bastando apenas “R$ 500,00”.
• Se um valor como “R$ 500,00” é um valor exato, então, os zeros após a vírgula podem ser suprimidos: “R$ 500”.
• Em documentos formais, o valor em algarismos pode ser acompanhado da escrita por extenso: “Recebi de Fulano de Tal a quantia de R$ 500,50 (quinhentos reais e cinquenta centavos)... ”.
• Complemento:
Manual de Comunicação SECOM
Dicio - Escrevendo dinheiro
FORMATAÇÃO DE NÚMEROS EM GERAL
Assim como nosso alfabeto é chamado de alfabeto latino por ter sido herdado dos latinos (ou romanos, como preferir), nossos números, ou melhor, algarismos, são chamados de arábicos porque tiveram origem no povo árabe. Enquanto um número é um conjunto de um ou mais algarismos, algarismo é um símbolo único, que vai de 0 até 9 e forma os números propriamente ditos que são infinitos (0, 1, 12, 1000, 2.000.000, ∞).
Número é um conceito matemático criado para indicar ordem (números ordinais) ou quantidade (números cardinais) em uma grandeza qualquer. Ao contrário de 007, identificação do famoso agente secreto James Bond, que é puramente uma nomenclatura, um número real, dentro de sua atribuição básica, prescinde de adorno para ser interpretado, pois é nada mais que um indicativo de valor. Numa linguagem de programação, por exemplo, que funciona por lógica, não existem números inteiros com zero à esquerda (como em 007), unicamente porque o zero nessa posição não tem utilidade. De outro modo, quando adicionamos zeros em uma saída de dados (01, 007, 500,00, etc.), o fazemos prioritariamente com um objetivo estético.
Seguindo esse entendimento, em nossos textos a gente deve avaliar se a adição de zero à esquerda faz algum sentido ou se precisa obedecer a algum padrão prévio de formatação, caso contrário, o ideal seria sempre abolí-lo. Abaixo, alguns exemplos que ajudam a clarear melhor essa ideia.
NÚMEROS E ALGARISMOS:
Há um certo equívoco em como uma parte das pessoas percebe números. Elas passam a impressão de acreditar que números menores que dez precisam sempre ser formatados com zeros como se, ao não fazer isso, sua escrita ficasse incompleta. E isso vale tanto para a escrita corrida (“Comprei 02 abacates ontem”) quanto para numerações de listas, por exemplo (01, 02, 03...). Um deslize que até eu já cometi, confesso.
Mas, imagine, se você resolve criar uma lista de presença para um evento institucional e formata os números para que todos fiquem com dois algarismos com a função de mantê-los visualmente alinhados. Então, para fazer sentido, esses números teriam que ir somente de 01 até 99. Caso passassem desse valor, entrariam na casa dos três algarismos e a lista ficaria desalinhada. Então, para se sanar, colocaria-se mais um zero na frente e, então, os números passariam a ser escritos com mais zeros à esquerda, dessa forma: 001,002, 003... 020, 021, 022... até passarem de 100 (podendo chegar até 999). Mas se é necessário, realmente, resolver isso, então porque não alinhá-los pela direita ou ao centro (na coluna da tabela), sem a necessidade de se adicionar zeros que não têm função?
TEXTO CORRIDO:
Comum, em nosso dia a dia, a gente escrever coisas do tipo “Ontem fui ao cinema 02 vezes”. Num caso como esse, se a gente opta por formatar com zero à esquerda porque acha mais bonito, então, pode-se dizer que a adição de zeros é uma escolha puramente individual. Assim, se alguém optar por escrever “Ontem fui ao cinema 00002 vezes”, ninguém poderá dizer que isso é um erro - e, afinal de contas, a compreensão da quantidade será exatamente a mesma (com o infortúnio de que o indivíduo terá mais trabalho para escrever quatro zeros inúteis e que o leitor poderá se questionar qual a necessidade disso). Portanto, a redação “Ontem fui ao cinema 2 vezes” seria a que realmente tem sentido porque, além de não nos dar o trabalho de escrever o que não é necessário, não fazemos o leitor se indagar sobre o porquê disso. Para fechar o raciocínio, quando você fala com alguém, diz sempre “Ontem fui ao cinema duas vezes” e nunca “Ontem fui ao cinema zero duas vezes”, o que mostra o quanto é dispensável essa formatação.
Para quantidades menores do que 10, a recomendação gramatical é dar preferência à escrita do número por extenso: “Ontem fui ao cinema duas vezes”. Caso a quantidade seja maior do que 10, o correto, então, seria algo do tipo “Ontem fui ao cinema 15 vezes”.
DATAS DENTRO DE TEXTO:
Para datas no meio do texto, vale a mesma regra. Não faz sentido escrever “Ontem, dia 02 de fevereiro, foi Dia de Iemanjá”. Se você não fala “Ontem, dia zero dois de fevereiro...”, então não há justificativa para esse zero intruso. Mas você pode escrever “No dia 2 de fevereiro de 2014, fui à festa de Iemanjá”, misturando letras e números, como pode escrever tudo por extenso: “No dia dois de fevereiro de dois mil e catorze, fui à festa de Iemanjá”. Ambos os casos estão corretos mas, em minha opinião, com letras e números, além de parecer mais preciso para quem lê, é mais fácil para quem escreve.
CALENDÁRIOS:
Um calendário acompanha a gente o ano todo. Daí a necessidade de se dispensar uma atenção especial a esta peça de comunicação tão útil. Composto, essencialmente, por datas, enumeração de feriados, estações do ano e luas, é comum deixá-lo em nossa mesa para consultas regulares.
Abaixo, algumas considerações sobre como formatar seus itens de maneira mais adequada:
1 - O primeiro dia da semana é sempre domingo, mesmo que se pense que seria o último porque, ironicamente, colocamos ele junto com o sábado no final de semana. Mas se sexta é o sexto e sábado, consequentemente, é o sétimo, e uma semana só tem sete dias, então, o ônus do primeiro sobrou para o domingo*. Assim, nunca inicie seu calendário pela segunda.
2 - A abreviatura dos dias da semana pode ser:
A - “dom, seg, ter, qua, qui, sex, sáb” (sem necessidade de ponto para este caso) ou
B - “D, S, T, Q, Q, S, S”.
As opções de A deixam os dias mais inteligíveis. As opções de B deixam o leiaute mais limpo. Fica a critério do designer, nesse caso, utilizar o formato que mais lhe satisfaz.
Obs.: por convenção ortográfica, os dias da semana, quando escritos em um texto corrido, se forem abreviados, requerem ponto abreviativo como em “Folgarei na seg. e na ter., mas volto a trabalhar na quarta.”. Mas, por uma questão estilística, num calendário isso pode ser desconsiderado.
3 - Os dias referentes aos meses não precisam de zero adicional. Então, ao invés de escrever “01, 02, 03... 13, 14, 15...”, faça apenas “1, 2, 3... 13, 14, 15...”.
Então, faça assim no calendário:
| D | S | T | Q | Q | S | S |
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | |
| 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |
| 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| 28 | 29 | 30 |
E nos descritivos das datas comemorativas faça:
| 1 | - Data 1 | ou | 1 | Data 1 |
| 10 | - Data 2 | 10 | Data 2 | |
| 23 | - Data 3 | 23 | Data 3 |
Alinhando a primeira coluna (números) à direita e a segunda coluna (descritivos) à esquerda, a gente consegue manter um intervalo elegante tanto para o leiaute quanto para a leitura.
*Obs.: pior do que domingo estar no final de semana e ser seu primeiro dia é SET ser o mês 9, OUT ser igual ao 10, NOV = 11 e DEZ = 12 (poderíamos chamar de dozembro?...).
PLACAR DE JOGOS:
Se algum dia na sua vida você tiver a missão de formatar um placar (o que é praticamente impossível), dê preferência a usar somente os números reais de resultados, sem adição de zeros, como em
1 x 0 e não 01 x 00 .
Da mesma forma, se for definir um leiaute de site de jogos (o que é bem mais plausível), utilize a forma enxuta, sem algarismos desnecessários, respeitando assim a interpretação do leitor, por mais que um resultado de placar não seja algo complicado de se ler. Mas imagine, se você acessa um site e vê vários placares cujos resultados são formatados com dígitos supérfluos. Nesse caso, o excesso faz diferença - o que é mais um motivo para se evitar zeros inúteis à frente de valores reais.
NUMERAÇÃO DE FICHAS / AMBIENTES:
Quando vamos a um local de atendimento, como uma recepção de clínica ou uma fila de banco, em geral, retiramos senhas de máquinas automáticas ou, então, nos entregam fichas em mãos. Essas fichas e senhas não têm um padrão lógico comum a não ser o que já foi definido no próprio local. Não sabemos se houve orientação de um designer, de um redator, se foi um profissional da TI... enfim. Ninguém sabe qual foi a lógica utilizada, se houve conhecimento de comunicação e nem quem definiu.
No final das contas, o importante é que no momento do atendimento entendamos a lógica da nomenclatura e a associemos no instante em que formos chamados, seja por um atendente humano, seja pelo painel eletrônico. Então, dá para se dizer que não existe um padrão para essas coisas a não ser, como já mencionado, o estabelecido pelo local.
Mas ainda assim, é possível sugerir boas práticas.
1 - Para fichas onde há apenas números, o ideal é que a quantidade de algarismos seja condizente apenas com o valor. Exemplos:
Ficha “1”, para o primeiro atendimento e não ficha “0001”, mesmo que fosse possível o local atender até 9.999 clientes no mesmo dia (a mesma quantidade de algarismos de 0001). Menos algarismos na leitura, menos trabalho para alguém lhe chamar.
2 - Caso a nomenclatura faça referência a um tipo de cliente/paciente, por exemplo, então, a numeração pode ser precedida de uma letra ou letra+espaço. Exemplos:
Ficha de Prioridade (P) para idosos, gestantes, etc.: P1, P2, P3... ou P 1, P 2, P 3...
Ficha de Atendimento (A) normal: A1, A2, A3... ou A 1, A 2, A 3...
3 - Para a sinalização das salas de atendimento pode se seguir o mesmo raciocínio. Exemplos:
Sala para a especialidade de Pediatria: Pediatria 1, Pediatria 2, etc., ou, somente, P 1, P 2, etc.
Isso não implica que nomenclaturas de fichas e salas não possam ter outros padrões. Podem sim. O primordial é manter coerência, porque, por exemplo, se o cliente é convidado a se dirigir à sala “1”, ele não pode chegar no corredor e se deparar com uma sala com a placa “S 01” - mesmo que ele consiga deduzir que a sala destino só pode ser aquela. Também não faz sentido em um local de atendimento haver salas no térreo com nomenclaturas como 1, 2, 3... e no 1º andar encontrar salas 01, 02, 03..., ou ainda, no mesmo andar ter salas S1, S 02, Sala 03 (porque as placas de sinalização teriam sido feitas em momentos diferentes por pessoas com níveis de informação diferentes). Para um local de atendimento se comunicar bem é preciso haver um padrão consistente para esse local nem que isso implique o custo de se refazer sinalização, impressos e atualizar sistemas de TI.
E por falar em sinalização, imagine se alguém da Prefeitura de Salvador/Ba resolve fazer placas de reposição para a Avenida Sete de Setembro (nossa conhecida “Avenida 7” no popular) e, por ingenuidade, utiliza o entendimento comum de se escrever números menores do que 10 (dez) sempre em algarismos arábicos e acrescentando um zero só para enfeitar (e ainda abreviando o tipo de logradouro). Teríamos algo como “Av. 07 de Setembro” escrito nela? Como esse texto seria falado? E como os soteropolitanos reagiriam?
Este é um caso para 007...
PASTAS E ARQUIVOS DE COMPUTADOR:
Esta seção fica um pouco fora do tema do artigo mas serve para exemplificar onde a adição de zeros não só não é dispensável, como tem muita utilidade. Quando numeramos pastas e/ou arquivos no computador, dentro de uma pasta de maior nível hierárquico, podemos, não só organizá-los numa ordem adequada como, visualmente, conseguimos identificar os nomes dos itens com uma facilidade maior também. Exemplo:
• Pasta “Meses do ano/”:
01 - Janeiro/
02 - Fevereiro/
03 - Março/
.../
12 - Dezembro/
Perceba que se nominássemos simplesmente por ordem alfabética, o primeiro mês seria sempre abril e o último, setembro, condição incompatível com a ordem natural dos meses. Fazendo dessa forma, conseguimos não só ordená-los corretamente, como alinhar seus nomes sempre em uma mesma linha vertical.
E ainda é possível se utilizar outros artifícios como aumentar o número de zeros para uma quantidade maior de itens, ou alfabetizá-los como “A 01 - Nome item”, “A 02 - Nome item”, “A 03 - Nome item”, “B 01 - Nome item”, “B 02 - Nome item”, “B 03 - Nome item”... e por aí vai.
Não use recursos onde criam ruído. Use recursos onde façam sentido.
• Complemento:
Manual de Comunicação da SECOM - Números
Dicio - Números por extenso
CONCLUSÃO
Por mais que pareça determinista, seguir padrões torna nossas comunicações mais amistosas e precisas. Como uma tomada elétrica que deve sempre encaixar quando plugada, nossa comunicação deve ser interpretada com exatidão (ou, pelo menos, deveria), e isso só será possível quando as informações veiculadas forem recebidas por alguém que as entenda do mesmo modo que quem enviou.
Quando você se comunica da forma que quer, nem sempre vai ser entendido da forma que pretende e isso servirá de nós para o outro quanto do outro para nós. E por mais que um receptor não domine perfeitamente regras gramaticais ou padrões de formatação, ele entenderá de maneira mais amigável informações apresentadas com base nessas regras porque consegue deduzí-las de maneira intuitiva, tomando como referência suas experiências de leitura anteriores. Ele pode não saber se manifestar corretamente por escrito, mas conseguirá apreender uma mensagem que utilize os modelos com os quais já teve contato.
Perceba que se eu escrevo “você”, “voçê” ou “vossê”, a pronúncia e o significado serão exatamente os mesmos, porém, você me dirá que só a primeira forma está correta. Mas enquanto “vossê”, por ser homófona, é falada exatamente da mesma maneira que “você”, o mesmo não se pode dizer da abreviatura “vc”, que precisa ser interpretada antes para não ser lida como “vecê”. Mas quantas pessoas que condenariam “vossê” já utilizaram “vc” nas escritas apressadas do dia a dia? Qual é o limite do aceitável e a partir de quando se torna repreensível?
Então, se não costumamos trocar as letras das palavras que já conhecemos, por que subverter os padrões que não temos certeza? E ainda, se a gente não consolida modelos e conceitos como os expostos aqui, acabamos por contribuir, involuntariamente, para o desconhecimento geral e, em consequência, para que comunicadores e público também se sintam credenciados a criar novos formatos que nós mesmos vamos ter dificuldade de entender depois.
Destarte, antes de pensarmos em inovar criando neografias e padrões que apenas nós temos certeza de entender, podemos deixar a criatividade para as partes onde ela seja realmente necessária - a menos que você tenha uma boa razão para burlar isso - e formatarmos nossa comunicação dentro de uma maneira que todos facilmente compreendam, evitando, assim, confusões desnecessárias.
Não limite sua criatividade, apenas a direcione para o lugar certo.
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Obs. 1: para alguns assuntos é difícil encontrar material de estudo, então, algumas conclusões deste texto, além de baseadas em leitura em fontes diversas como livros, revistas, cartazes, placas, folders, anúncios, etc., também se fundamentam em observação e reflexão. Caso ache pertinente discordar, sinta-se à vontade para fazer seus comentários na seção logo abaixo.
Obs. 2: os links apresentados em cada seção não são apenas fonte de referência mas um recurso para o leitor poder obter uma segunda opinião a respeito dos temas.
Obs. 3: todas as seções contém o termo “FORMATAÇÃO DE “ por uma questão de SEO (Search Engine Optimization), ou seja, apenas pelo motivo de facilitar a localização pelos motores de busca.
Obs. 4: se você teve a paciência de ler este texto até aqui, parabéns: você é uma alma evoluída. Obrigado e forte abraço.
Artigo atualizado em: 10/05/2026.
Artigo técnico abordando a importância do uso de padronizações de escrita em documentos e materiais gráficos (endereços, CEP, datas, horas, etc).
Palavras chave: padronizacao cep, padronizacao enderecos, padronizacao telefone, padronizacao datas, padronizacao abreviaturas, padronizacao valor financeiro, padronizacao horas, formatacao cep, formatacao enderecos, formatacao telefone, formatacao datas, formatacao abreviaturas, formatacao valor financeiro, formatacao horas,
Design não se resume a computador, vem antes dele e vai além dele. Softwares não podem determinar o valor de um profissional mas alguns acham que sim.
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Voce está equivocado quanto ao endereçamento correto.
Segundo a norma dos Correios, a ordem certa é que a última linha contenha é o número do CEP (jamais escreva CEP antes) seguido da cidade e estado. Sr. José da Silva Rua da Figueira, 21 13670-895 Santa Sofia RS |
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Você está certo. O correto é que o CEP venha antes da cidade e do estado. O manual de padronização dos Correios de maio de 2021, inclusive, deixa isso claro. O que gera confusão, porém, é o fato de que, como definido nesse mesmo documento dos Correios, a recomendação é que num envelope escrito à mão, o CEP venha embaixo, destacado, como sempre foi utilizado há muitos anos. A ideia do posicionamento do CEP acaba ficando meio dúbia por causa disso. Mas no novo padrão de envelope dos Correios, o CEP já fica colocado no lugar certo.
De qualquer forma, o texto já foi todo revisado. Grande abraço. |
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Excelente.
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