10/07/2019 | Com quantos pontos se desfaz um rosto?
Com quantos pontos se desfaz um rosto?
No dia 10 de julho (quarta-feira), às 19h, será inaugurada na galeria RV Cultura e Arte, no Rio Vermelho, a exposição “Com quantos pontos se desfaz um rosto?”, daartista visual Flávia Bomfim. A mostra individual resulta de uma pesquisa que, há mais de 10 anos, ela tem desenvolvido, na investigação da temática do rosto em suas poéticas gráficas: o rosto humano, enquanto representação de variadas estruturas e normatividades, individuais e sociais. São cerca de 40 obras, de tamanhos e formatos diversificados, que utilizam da linguagem têxtil e da técnica do bordado, ponto de partida criativo da artista, junto a intervenções como remendos e fotografias impressas em tecido.
Tudo começou com o mote “O rosto é um mapa”. Flávia se inspira na produção social do rosto, como um sistema semiótico de contrapontos entre muro-branco e buraco-negro. Como a ideia de rosto, em sua arquitetura determinada pela genética, mas modificada pela cultura, está relacionada com a criação e as reproduções de nós mesmos?
Um rosto sempre denuncia. Um olho sempre captura. Mas o que captura? Entender o que nosso olhar captura e interpreta em um outro rosto é justo o xis da questão: um outro olho? O seu piscar? Um sinal? Um tique? Uma cicatriz? Uma determinada angulação de uma ruga?
Um rosto é também um sistema de controle. O rosto do patriarcado, por exemplo. Os olhos do Big Brother, o panóptico de Foucault. O que devemos ser, mostrar e fazer. O rosto-Cristo, aquele branco, bom, homem, europeu. O que disso desvia é erro de fabricação, e pecado é nunca podermos alcançar este rosto não pervertido. Fadados à neurose, nunca chegamos lá.
E então Flávia Bomfim aponta essa submissão que nos toma inclusive o direito à face. Que se interrompam sacrifícios e ideais inalcançáveis. Decolonizar o rosto. Desfazer o rosto. Subverter os códigos que nos capturam, os algoritmos que nos “identificam” e “diagnosticam”. Romper memórias subjugadoras, fantasmas em ciclos de dor, e construir novas narrativas.
Desfazer o rosto é torná-lo imperceptível, inclassificável, indecifrável. Olhar sem pretender inferir, deixar a curiosidade instigar a investigação. Reconfigurar, hackear, modificar a mensagem. Viabilizar as inúmeras sinapses, novas imagens, novas respostas diante de tantas variações de rostos, novos rostos possíveis.
Na RV Cultura e Arte
Av. Cardeal da Silva 158, Rio Vermelho
Salvador/BA, Brasil | 41950-495
Mostra individual da artista baiana Flávia Bomfim, na RV Cultura e Arte - Rio Vermelho - SSA-BA
Palavras chave: Flávia Bomfim,Com quantos pontos se desfaz um rosto
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Na Academia de Letras da Bahia - Av. Joana Angélica- SSA-BA.