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Eduardo Bajzek - Arquiteto e ilustrador

por João Taboada08/01/2026

Eduardo Bajzek é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade Mackenzie (São Paulo) desde 1998. Paulista de nascença, além de participar de grupos urbanos como SketchCrawl e Urban Sketchers, ministra cursos sobre ilustração e técnicas de representação e já lançou, até o momento, três livros. Continue a leitura e conheça um pouco mais sobre este arquiteto por formação mas que também é, por paixão, um excelente ilustrador.


VA - Você aprecia desenhar desde criança porém, tem formação em Arquitetura. O que te levou a escolher essa profissão?
EB - Eu acreditava que essa era a única profissão em que eu poderia empregar e desenvolver o desenho. Havia também um amigo da minha mãe, o arquiteto-paisagista Luciano Fiasch, que projetou a residência onde morávamos e que, portanto, trouxe de maneira indireta a profissão para nosso convívio. Minha mãe chegou a trabalhar com ele em alguns períodos - cheguei a ir com ela no escritório que ficava no bairro das Perdizes em São Paulo. Meu pai desenhava muito bem, e fazia desenhos para eu e meus irmãos colorirmos quando éramos crianças. Acho que o que nos leva a escolher uma profissão são um conjunto de fatores: experiências, vivências e despertares. 


VA - Das atividades que exerce hoje, qual considera a mais relevante para sua vida e porquê? 
EB -Hoje me divido entre o ensino de desenho, a ilustração arquitetônica e o urban sketching. Mais recentemente surgiu o trabalho editorial. Bem, não consigo estabelecer qual dessas frentes seja a mais importante. Cada uma tem um peso relevante, quer seja do ponto de vista pessoal, financeiro ou de carreira. Acho que depende da época também. Há altos e baixos em todas elas.


VA - Quais são suas técnicas de ilustração preferidas e porquê?
EB – Eu acho que é o desenho a grafite, pois é a técnica em que eu fico mais relaxado e introspectivo. Mas gosto muito dos markers e da aquarela.


VA – Pelo fato de ter formação em arquitetura, você ilustra e pinta muito espaços urbanizados e interiores, mas também o faz com vegetação. Existe uma preferência pelos tipos de tema?
EB - Não tenho uma preferência, mas acho que os desenhos que mostram um contexto urbano e paisagístico rende desenhos mais eloquentes. Os panoramas de cidades em grande formato que já fiz (9 ao todo) são muito especiais também, pois envolvem muita pesquisa (apesar disso são muito desgastantes). 


VA - Você já viajou bastante (EUA, França, Espanha, Holanda e diversos lugares do Brasil como a Amazônia) e em seu blog relata os vários trabalhos que fez em virtude dessas viagens. Qual a relação entre viagens e seu trabalho de ilustração? Viajar é um argumento para ilustrar ou a ilustração é uma consequência do momento? 
EB –Essas viagens estão relacionadas principalmente ao universo do urban sketching, ou desenho de observação in loco, mas também são viagens onde ministro workshops e cursos. Eu já fui contratado, inclusive, em virtude do material que fui colocando on-line, em meu blog e outras plataformas. O trabalho da Amazônia veio através de um convite feito por uma ex-aluna. 


VA – Segundo você comenta em seu blog, tem Influência do trabalho de Frank Lloyd Wright, Francis Ching e já fez curso de aquarela com o ilustrador chileno Gonzalo Cárcamo. Em que aspectos o trabalho desses profissionais acresceu no seu? 
EB – Frank Lloyd Wright foi uma paixão à primeira vista, quando nos mostraram a Fallinwater House pela primeira vez na faculdade. A partir daí passei a estudá-lo com frequência e fiquei encantado. Acho que, no caso dele, é mais uma questão de inspiração pela qualidade dos desenhos arquitetônicos, de seu estilo muito elegante e o apuro estético principalmente pela harmonia. Frank Ching influenciou-me pelos seus livros sobre desenho e também pelo seu estilo de traçado a lápis, suas linhas elegantes e pelas brincadeiras com as margens ou bordas dos desenhos. Cárcamo é um mestre da aquarela e já influenciou toda uma geração de artistas no Brasil com seus cursos e sua produção (fiz curso com ele por volta de 2009). 


VA - O que são os eventos Sketchcrawl e Urban Sketchers que você participa? No que eles te acrescentam? 
EB - Ambos são grupos que reúnem desenhistas, profissionais e amadores, para a realização de desenhos feitos in loco, ou seja, no próprio local. Surgiram mais ou menos na mesma época (2007), sendo que o segundo se consolidou como uma grande plataforma internacional, que conta com cerca de 500 grupos locais e 13 simpósios internacionais realizados. A primeira vez que eu participei de um encontro do tipo foi em um Sketchcrawl em São Paulo, em 2007. Depois tornei-me um dos fundadores do grupo no Brasil e ajudei a trazer para Paraty, RJ, em 2014, um simpósio internacional. Esse grupo funcionou como uma porta de entrada para diversos trabalhos e me deu certa notoriedade - que acaba se refletindo também em oportunidades de convites para ministrar cursos, workshops e palestras. 


VA - Você já ministrou vários cursos, pelo que percebi, voltados à área de Arquitetura e ilustração. Fale um pouco sobre isso. 
EB - Sim, meu primeiro curso, em 2010, era mais voltado ao desenho de arquitetura, ou à representação artística da arquitetura como forma de comunicação visual de projetos. Desde o princípio, já abarcava também aulas de urban sketching. Depois esse curso se desenvolveu em outros formatos e hoje eu estou mais focado no ensino de desenho geral, ou seja, em fundamentos e abordagens de desenho que permitem a expressão artística sobre diversos temas. 


VA - Você já lançou três livros: Rio Sketchbook! (2016), Técnicas de ilustração à mão livre: Do ambiente construído à paisagem urbana (2019) e Percursos da aquarela: Fundamentos da técnica e possibilidades expressivas (2024). Todos, pelo que pude notar, com focos diferentes. Existe o mais gratificante? Fale um pouco sobre eles. 
EB – Todos tiveram seus desafios e seus grandes momentos. O Rio Sketchbook proporcionou-me as viagens ao Rio de Janeiro, quando eu desenhava suas pessoas, ruas, parques, paisagens urbanas e naturais. O processo de realização do livro, ou seja, sua edição foi longo, trabalhoso, mas eu aprendi muito. Foi uma experiência fantástica fazer o lançamento em uma livraria em São Paulo, em 2016. Um ano depois, ganhei um prêmio Jabuti (3º lugar na categoria Ilustração) com ele. O Técnicas de Ilustração permitiu-me organizar e ampliar um grande material sobre desenho e ensino de desenho que eu havia acumulado durante minha vida profissional. Adorei fazê-lo. Já o Percursos da Aquarela foi um grandioso projeto, que reuniu o trabalho de 61 artistas que tive o prazer de convidar para incrementar o conteúdo do livro. Pesquisei muito, escrevi muito e aprendi muito com o pessoal da Editora Olhares, principalmente sobre como organizar o conteúdo e escrever com mais objetividade e clareza. 


VA - Uma coisa que eu noto em alguns trabalhos seus: vistas a uma certa distância, as pinturas em aquarela parecem fotos (possuem um aspecto mais realista), provavelmente em virtude da relação de cor com sombra/luz que você tenha conseguido naquelas representações. O que há de proposital nisso? 
EB - Acho que ser um desenhista ou pintor realista tem mais a ver com o temperamento da pessoa, mas também com sua formação. Como arquiteto e apreciador de desenhos caprichosos e elegantes, acabei indo para essa vertente artística. O caráter realista vem da contínua, persistente e diligente elaboração ou imitação da natureza ou mundo físico. Ter uma boa dose de paciência ajuda bastante também. 


VA – Por falar em fotos, em seu blog, em um dos posts, você faz um comentário sobre cópia (mais especificamente, o desenvolvimento de um trabalho artístico que toma como referência uma fotografia) e a impressão que as pessoas têm sobre isso. Eu, enquanto desenhista, também já copiei à exaustão e posso dizer que isso me ajudou bastante tecnicamente. E como você mesmo comenta no post, “se mil ilustradores copiassem a mesma foto, mil trabalhos sairiam diferentes”, no que eu concordo plenamente e ainda acrescento que, no final das contas, cada um, inevitavelmente, colocará uma “impressão digital” sua naquele trabalho independentemente do apuro técnico de cada artista. Ainda assim, o uso de fotos é um recurso comum em seu trabalho ou acaba sendo mais instigante desenhar e colorir ao vivo? 
EB – Obrigado pelo comentário e pelo assunto. Eu acho que é mais instigante trabalhar ao vivo, ou seja, in loco. Por outro lado, acho que trabalhar também em estúdio, a partir de fotografias, enriquece o repertório técnico e te ajuda a levar adiante seus processos, a fim de testar seus próprios limites ou mesmo descobrir novas possibilidades técnicas e temáticas. 


VA – Você vem de uma época de transição da representação de leiautes - que antes eram feitos à mão para, posteriormente, serem construídos e renderizados no computador. Isso simbolizou uma transformação e um avanço importante tanto para a área de Design (CorelDRAW, Illustrator, Photoshop) quanto para a Arquitetura (Autocad, Revit). Como você se relaciona com softwares hoje? Ainda faz renderização de projetos à mão ou a ilustração se reserva mais a produções artísticas? 
EB -Tive o privilégio de trabalhar em dois escritórios de arquitetura quando era estagiário, onde eu desenhava quase tudo na prancheta. Tive ótimos mentores. A Maria Inês Fiasch, a Patricia Anastassiadis e o Camilo Rebouças me ensinaram muito sobre desenho técnico (e também sobre a arquitetura, claro). Hoje, eu tenho trabalhado somente com o Photoshop. Sinto-me, às vezes, pressionado pela sensação de estar ficando “pra trás” ou desatualizado. Entretanto, acredito que temos que investir nosso tempo onde mais nos interessa em termos pessoais. 


VA - Como você vê a entrada da inteligência Artificial em diversas áreas profissionais e do conhecimento humano? Isso representa um motivo de preocupação? 
EB - Difícil avaliar por enquanto, mas tenho mais ressalvas que entusiasmo com essas ferramentas. Acredito que a geração de imagens e vídeos de maneira quase instantânea estão banalizando, ainda mais, aquilo que é pra ser concretizado sob uma forma ou outra de arte. Ou seja, pinturas que, em um clique, ganham movimento se autossabotam (e os próprios artistas que as fazem entram nessa “brincadeira” - porque, afinal de contas, é muito sedutor fazer isso). Até grandes museus vem “animando” pinturas dos grande mestres para ter engajamento nas redes sociais, o que é, na minha opinião, uma bobagem perigosa. Pessoas bem intencionadas, mas sem critério artístico ou histórico, estão “revitalizando” fotos antigas de edifícios ou paisagens urbanas para postar nas redes, e por isso reconfigurando aleatoriamente importantes registros históricos (por sorte muitas dessas fotos estão publicadas em livros). Por outro lado, há boas possibilidades de uso da IA, tal como geração rápida de estudos de paletas de cor, luz, composição, etc., que podem abrir novas possibilidades para os artistas, como repertório. 


VA – E, por fim, que mensagem ou recomendação você passaria para aqueles que estão iniciando na área artística? 
EB - Eu sugiro estudarem bastante e lançarem-se no mercado de trabalho, atuando com clientes diretos (e reais), aprendendo a se relacionar profissionalmente, socialmente, etc. As novas gerações estão muito atraídas e seduzidas pelo caminho das redes sociais, como o Instagram, vislumbrando se tornarem famosas e, a partir daí, ganharem respeito e projeção - o que pode acontecer, mas não é, definitivamente, uma realidade para todos. O desenvolvimento profissional é lento, e as pessoas precisam ter mais calma e coragem. As oportunidades boas vão aparecendo, mas é preciso ter paciência, determinação e entusiasmo. 

∇......


Livros já lançados:
• Rio Sketchbook - Editora M’Arte - 2016
• Técnicas de ilustração à mão livre: Do ambiente construído à paisagem urbana - Editora Gustavo Gili - 2019 (confira resenha aqui no VISUAREA)
• Percursos da aquarela: Fundamentos da técnica e possibilidades expressivas - Editora Olhares - 2024


Onde encontrar:
https://ebbilustracoes.blogspot.com/ 
https://www.flickr.com/photos/bajzek/ 
https://www.urbansketchers.org/search/label/Eduardo%20Bajzek 
https://viagens-incriveis.blogspot.com/ 
https://www.instagram.com/bajzek/ 



Confira abaixo alguns trabalhos de Eduardo Bajzek. 


Vicorp Equilibrium


União Fraterna externa


Conjunto Nacional Archote


Shopping SP


Saccade Singapore


RIO Centro antigo


RIO Cantagalo


RIO Amanhã


Real Gabinete


Pavãozinho


Palácio Indústrias


MPD Jabuticabeiras


Itatiba fogueira


Itatiba Clube


Improviso no Sacopa


Copema Torre


CMA aérea


CHI Home Studio


Allan Serendipity


ALERJ


STP Fátima Colunatas

Confira aqui entrevista com o ilustrador e arquiteto paulista.

https://www.visuarea.com.br/entrevistas/eduardo-bajzek-arquiteto-e-ilustrador
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Palavras chave: eduardo bajzek, arquitetura, ilustração



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