As imagens digitais - Vetores

Artigo por: João Taboada - Webdesigner
Designer gráfico, artista plástico, ilustrador, programador PHP e músico, dentre outras coisas...

24 de abril de 2016 | 781 hits  



Os vetores surgiram já há muito tempo, antes, inclusive, da invenção do computador. A humanidade estuda as formas geométricas (mesmo quando ainda não existia este termo) desde a história antiga (a.C.), passando pela Babilônia, Grécia e chegando até o século XIX quando se consolidou o conceito daquilo que é conhecido como grandeza vetorial. Vetor, na Física, pode ser entendido como uma classe de objetos definidos por três valores que são direção, intensidade e sentido e que tem início em um ponto e um fim em outro e, na Geometria, como um raio que parte do foco de uma curva a qualquer ponto da mesma curva. Vetor também tem significados diferenciados em outras áreas da ciência como a Medicina e a Astronomia, mas o que interessa aqui é abordarmos vetor dentro de uma conceituação mais visual, ou seja, o vetor como representação gráfica.

As imagens vetoriais digitais, propriamente ditas, aquelas que vemos na tela do computador, surgiram no início da década de 1950, ou até antes. Os primeiros videogames (por volta de 1947) e as imagens de radar mostradas em monitores desenvolvidos para utilização na Força Aérea Americana, em 1955, podem ser consideradas as primeiras imagens vetoriais do planeta. Pouco depois, a GM - em parceria com a IBM - desenvolveu o que seria o primeiro programa CAD (Computer Aided Design) do mundo, com o intuito de ensinar engenheiros da companhia a desenhar automóveis. O Sketchpad, invenção do cientista da computação americano Ivan Shuterland, em 1963 (desenvolvido no MIT), foi o primeiro software vetorial em que era possível fazer desenhos a traço (outline) e tratá-los individualmente, sendo considerado, também, precursor dos programas CAD, estes que, possivelmente, foram os primeiros representantes comerciais de aplicativos feitos para a criação de imagens vetoriais.

Mas o que é uma imagem vetorial?
Da maneira como a gente pode entender melhor, imagens vetoriais são desenhos feitos por um software a partir de cálculos matemáticos. Esses desenhos possuem características diferentes em relação às imagens bitmap como terem limite definido, poderem ser tratados individualmente com facilidade em uma dada camada de objetos, não sofrerem perda de definição com redimensionamento, não aumentarem seu tamanho em disco quando ampliados, etc. Vetores, em softwares gráficos, são representados, basicamente, por formas geométricas conhecidas como “primitivas geométricas” que são retângulos, círculos, triângulos e polígonos, além de linhas, pontos e formas irregulares complexas. Seus limites são determinados por pontos de controle, também conhecidos como “nós”, e sua posição no espaço é definida através de coordenadas.

Programas de leiaute e ilustração como CorelDRAW, Illustrator e o antigo Freehand (da extinta Macromedia) são os exemplos mais óbvios que vêm à mente de programas vetoriais, além dos programas CAD (AutoCAD), mas softwares de editoração de página também o são (InDesign, QuarkXPress), programas de apresentação multimídia (Impress, Powerpoint), de animação (Flash), de montagem visual de páginas web (Dreamweaver, Frontpage), aplicativos de modelagem 3D (Maya), programas tipográficos (Font Creator) e programas de editoração de texto rico como Word, OpenOffice e afins - a despeito de seu foco ser algo ou totalmente diferente daqueles primeiros. Interessante notar que os aplicativos para tratamento de imagens bitmap (como o Photoshop), atualmente, também conseguem trabalhar com formas vetoriais e, aplicativos essencialmente vetoriais como o CorelDRAW, também fazem operações simples com bitmaps. Em casos como esses, fazer os softwares trabalharem com diversos tipos de formatos de imagem, a despeito de funcionar como um argumento a mais no quesito utilidade (para o usuário), serve, também, para as empresas justificarem o alto valor dos programas que produzem e a necessidade de troca, para o usuário, para as novas versões.

As imagens vetoriais não são exclusividade dos softwares de desktop. A partir do formato SVG (feito em HTML e formatado com códigos XML) elas podem ser exibidas nativamente através do navegador (browser) – desde, é claro, que este tenha suporte ao elemento “svg”. Atualmente, todas as versões recentes dos grandes browsers, incluindo, os de celular, suportam SVG. Perceba que este tipo de imagem não pode ser importado em programas de caráter bitmap, apenas em vetoriais que o suportam como CorelDRAW, Inkscape e Illustrator. SVG permite escalonamento sem perder a qualidade e permite animação também. Códigos CSS também são capazes de formatação e animação de figuras vetoriais simples (layers) e com algum tipo de efeito para serem vistas no browser sem precisar do SVG, mas não têm o mesmo poder deste.

Imagens vetoriais podem ser transformadas em mapas de pontos (rasterização) pelo software de criação e manipulação, caso necessário, e o inverso também pode ocorrer, ou seja, bitmaps podem ser convertidos para imagens feitas com nós e linhas através do processo chamado vetorização. Outro fato interessante é que no programa de editoração vetorial, seja ele 2D (largura x altura) ou 3D (largura x altura x profundidade), é possível ver as formas do desenho em um tipo de visualização chamado wireframe (ou aramado) onde se pode perceber o “esqueleto”, a estrutura do desenho em seus detalhes, através de suas linhas de construção. Estes conjuntos de linhas são, na verdade, os “objetos reais”, crus, sem a renderização proporcionada pelo software e é esta estrutura, inclusive que permite que aconteça uma das maiores inovações tecnológicas dos últimos tempos: a impressão 3D. As impressões 3D são, normalmente, feitas a partir de modelos tridimensionais criados em softwares vetoriais tipo CAD e, apesar de poderem ser feitas também a partir da chamada digitalização 3D, estas digitalizações têm que ser convertidas depois para o modelo tridimensional vetorial através do software 3D apropriado para serem entendidas pelo dispositivo de saída.

Aplicação dos softwares vetoriais:

• Editoração de textos complexos (relatórios, currículos)
• Leiautes 2D (cartazes, panfletos, banners, painéis, papelaria empresarial, plantas arquitetônicas)
• Criação de identidade visual (logomarcas / logotipos / Manual de Identidade Visual - MIV)
• Animações (imagens animadas e filmes)
• Apresentações multimídia (que incluem texto, imagem, áudio e vídeo)
• Criação de fontes
• Criação visual de páginas web (sites)
• Imagens 3D (fachadas, protótipos de construções, personagens realistas de filmes, protótipos de veículos, embalagens e móveis)
• Impressões 3D (construção de objetos reais a partir de modelos tridimensionais virtuais)


Graças à sua versatilidade, os softwares vetoriais acabam abrangendo diversas áreas visuais como Design, Publicidade, Arquitetura, Tipografia, Animação, Cinema, Moda, Artes Plásticas, Ilustração, etc, e se presta, por sua vez, a profissões e profissionais que não são necessariamente destas áreas, mas que acabam por necessitar de algum tipo de recurso destes programas. Abaixo, estão alguns formatos conhecidos, suas extensões e explicações relacionadas.



CDR / CMX
Formato proprietário do CorelDRAW, um dos principais softwares para leiaute conhecidos, tendo sido o primeiro criado para este fim. Trata objetos e operações altamente complexos (polígonos, montagem de leiautes, curvas beziér, ilustração, etc) e permite incorporação (e algum tratamento) de imagem bitmap.
CMX (Corel Presentation eXchange) é um formato de exportação do CorelDRAW que é independente de versão de software.
Extensões: .cdr, .cmx | Mais | Mais | Mais

AI
Formato de armazenamento do Adobe Illustrator, outro software conhecido e respeitado na editoração de leiautes e ilustração. Foi criado dois anos antes do Corel e desenvolvido inicialmente para funcionar como software de ilustração mas, com a adição de novos recursos, se tornou bastante versátil para a edição de leiautes (na versão CS4 – 2008 - foi incorporado o recurso de múltiplas páginas, o que permite ao usuário fazer várias versões do mesmo trabalho no mesmo arquivo). Em 1989 foi lançada a versão para Windows (antes, funcionava basicamente em Macintosh), mesmo ano de lançamento do CorelDRAW.
Extensões: .ai, .ait | Mais Mais

ODG
Formato nativo do OpenOffice Draw, o programa gratuito da Apache para criação de leiaute e ilustrações vetoriais, similar ao CorelDRAW e Illustrator, porém sem o mesmo poder de fogo destes últimos. Permite desenhar formas livres (curvas beziér) e polígonos, além da inserção de blocos de texto e figuras geométricas prontas.
Extensões: .odg, .otg | Mais Mais

EPS
Formato misto que permite incorporação de bitmap e vetores, desenvolvido pela Adobe. O Encapsulated Post Script pode ser aberto e editado em programas vetoriais mas não em programas bitmap (pois quando aberto suas informações são convertidas para pixels) e é (era) normalmente utilizado para dispositivos de saída (impressoras). Atualmente foi substituído pelo PDF por ter este melhor qualidade.
Extensões: .eps , .epsf, .epsfi | Mais Mais


PDF
Formato universal de exportação para visualização, e, também, saída para gráfica offset. Por ser formato fechado (não alterável) o Portable Document Format é o preferido pelos designers para envio à gráfica para impressão. Suporta incorporação de texto, vetor e bitmap e sua qualidade depende diretamente da qualidade do arquivo de origem. É um arquivo de padrão aberto (uso livre) e o sucessor do formato EPS.
Extensões: .pdf | Mais


DWG / DXF / DWF
Acrônimo criado a partir do termo DraWinG, DWG é uma extensão nativa do AutoCAD, software criado pela AutoDesk em 1982 para a elaboração de projetos arquitetônicos. Suporta o trabalho com dados avançados de imagens em duas e três dimensões.
O DXF (Drawing Exchange Format) é um arquivo para intercâmbio do AutoCAD e pode ser aberto por outros softwares vetoriais.
O DWF é um arquivo não editável e super comprimido para exportação e envio pela internet.
Extensões: .dwg, .dxf, .dwf | Mais Mais

WMF / EMF
Windows MetaFile é um formato desenvolvido pela MicroSoft em 1990 para o Windows. WMF suporta tanto gráficos raster quanto vetores e é o formato vetorial de imagem nativo dos programas Word e Power Point, do Office. Como WMF suportava apenas 16 bits/cor, acabou, por recomendação da MicroSoft, sendo substituído em 1993 pelo EMF (Enhanced MetaFile) que suporta 32 bits/cor. As duas versões comprimidas são WMZ e EMZ.
Extensões: .wmf, .emf, .wmz, .emz | Mais

CGM
O Computer Graphics Metafile é um padrão aberto internacional de arquivos que podem conter gráficos 2D, imagens raster e texto e, sua visualização, foi concebida para não depender de aplicativo, sistema operacional ou dispositivo. WebCGM é um formato desenvolvido em 1999 para ser utilizado na Web.
Extensões: .cgm | Mais

SVG
O Scalable Vector Graphics é um formato aberto especialmente desenvolvido para a Web e funciona no browser (navegador) sendo suportado por todos os navegadores modernos. O SVG é definido em modo texto, a partir da codificação nas linguagens HTML e XML, e foi lançado em 1992 pelo W3C. A despeito de ser um arquivo para apresentação no browser, ele pode ser importado e editado em programas vetoriais como CorelDRAW e Illustrator e é o formato nativo do programa vetorial de código aberto Inkscape.
Extensões: .svg | Mais Mais

VDX / VSD
Visio XML Drawing file format é o formato nativo do programa de editoração vetorial da Miscrosoft, o Microsoft Visio, utilizado na construção de gráficos e fluxogramas, salvo em linguagem XML. A extensão VSD representava o formato binário original de saída do aplicativo e foi substituída pela extensão VSDX. O Visio foi inicialmente desenvolvido pela empresa Shapeware Corporation e posteriormente adquirido pela Microsoft em 2000.
Extensões: .vdx, .vsdx, .vsd, .vsdm, .vssx, .vssm, .vstx, .vstm | Mais

PPT / ODP
O PowerPoinT format é o formato nativo do programa de apresentação de slides Powerpoint. O PowerPoint é utilizado para a criação de apresentações multimídia, com imagens, textos, áudio e vídeo. Foi lançado em 1990 pela Microsoft.
ODP é o formato nativo do OpenOffice Impress, que é software equivalente gratuito do PowerPoint.
Extensões: .ppt, .pps, .pptx / .odp, .otp | Mais

DOC / ODT
O DOC é o formato do programa de editoração de texto rico (rich text) Word, da Microsoft. O Word não é um programa para editoração de imagens, no entanto, sua forma de edição de textos complexos permite a inclusão e manipulação de objetos diversos como figuras vetoriais, bitmaps, polígonos, tabelas, gráficos, etc, além de permitir efeitos e formatações de texto diversas. Seu equivalente gratuito é o OpenOffice Writer, da Apache, cuja formato nativo é o ODT.
Extensões: .doc, .dot, .rtf / .odt | Mais


PICT
Formato desenvolvido pela Apple para ser utilizado nos computadores Macintosh como arquivo de metadata. O PICT foi criado em 1984 e suportava imagens vetoriais e bitmap e, posteriormente, foi substituído pelo PDF.
Extensões: .pict, .pct, .pic | Mais | Mais

A$V / ASV
Extensão nativa do software de edição de páginas impressas QuarkXPress. O QuarkXPress é produzido pela Quark, sua primeira versão data de 1987 e era o concorrente direto do PageMaker, que surgiu dois anos antes e foi posteriormente descontinuado pela Adobe.
Extensões: .a$v, .asv. .dcs... | Mais

INDD / INDT
Extensão proprietária do Adobe InDesign, o software de editoração de páginas atual da Adobe, que é o sucessor direto do PageMaker (descontinuado em 2004).
Extensões: .indd, .indt | Mais

BLEND
Blend é a extensão nativa do software de modelagem 3D gratuito Blender, que iniciou em 1995. O Blender é um programa open source e serve à criação de filmes, objetos 3D, efeitos visuais e videogames.
Extensões: .blend | Mais

MA / MB
Formatos proprietários do software de modelagem 3D Maya, da Autodesk (a mesma do AutoCAD). O Maya era desenvolvido pela Alias (desde 1998) e foi adquirido, posteriormente, pela Aurodesk em 2006. O Maya, assim como o Blender, serve à criação de objetos 3D, efeitos especiais e animação.
Extensões: .ma, .mb | Mais

FLA / SWF
Extensão nativa do Flash, o programa de animação da Adobe que já foi a coqueluche para a criação de websites. O Flash (que inicialmente se chamava Future Splash) foi criado pela Futurewave e depois vendido para a Macromedia que, por sua vez, foi incorporada à Adobe.
SWF (ShockWave Flash) é o formato de animação já finalizado para ser exibido em páginas web.
Extensões: .fla, .swf | Mais


Linha do tempo das imagens vetoriais:

1947/48 - 1º protótipo de videogame
1950 - 1º videogame lançado no mundo (Bertie the Brain)
1955 - 1º imagem vetorial utilizada nos radares da Força Aérea Americana
1963 - Invenção do SketchPad
1973 - GUI (Graphical User Interface)
1982 - AutoCAD, .DWG, .DXF / TRON (o filme)
1983 - Microsoft Word, .DOC
1984 - .PICT
1985 - .EPS (Adobe) / Aldus PageMaker (depois Adobe PageMaker/1995)
1986 - .CGM
1987 – QuarkXPress, .A$V / Adobe Illustrator, .AI
1988 - Macromedia Freehand
1989 - CorelDraw, .CDR
1990 - Microsoft Power Point, .PPT / .WMF
1992 - Visio (Shapeware Corporation, depois Microsoft), .VSD
1993 - .EMF / SolidWorks / Jurassic Park (o filme)
1995 - Adobe Dreamweaver / Adobe Flash (inicialmente Future Splash), .FLA, .SWF / Toy History (1º filme totalmente em 3D) / Blender, .BLEND
1997 - Microsoft Frontpage
1998 – Maya, .MA
2000 - Microsoft Visio, .VSD
2001 - .SVG
2002 - .VDX
2003 - Inkscape


Artigos da série:
As imagens digitais - Uma introdução
As imagens digitais - Bitmaps
As imagens digitais - Vetores
As imagens digitais - Animações





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